segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Como é o inverno na Polônia


No Brasil, não temos inverno.

Me refiro a esse inverno da alma. Aqui faz parte da natureza das pessoas.

O Sol nos salva... Talvez alguma coisa no ar, no nosso DNA com todas essas misturas tão peculiares...Ou talvez seja por causa da água bebida no filtro de barro na nossa infância, ou alguma coisa na farofa... A combinação mágica de arroz e feijão com banana. Mas tem algo que nos torna mais leves mesmo em situações muito difíceis. Sim. Mesmo com a violência, mesmo com a pobreza. 
Somos seres mais propícios ao riso. Apesar de tudo. 


Eu sei o quanto conhecemos o sofrimento e que a vida não é fácil no Brasil, mas o sofrimento e o tipo de tristeza que se tem em lugares frios, onde não se tem sol boa parte do ano é algo totalmente diferente.
A ausência do sol, da cor, do calor transforma a alma das pessoas. 
É difícil explicar, mas brasileiros têm uma capacidade de ser mais leve, mesmo no sofrimento.

E como é difícil ser leve num lugar onde o "normal" é ser denso.
Por isso ouço coisas como Tiririca as vezes: " Florentina Florentina... " É quase um mantra que afasta os mais espíritos rs. Timbalada também tem funcionado.
Sabe a técnica aprendida em Hogwarts para lidar com o bicho papão? O feitiço Riddikulus: Torna a coisa mais temida engraçada. 


As vezes só um pouco de riso e leveza resignifica tudo e basta.
Mas, às vezes, e é o que estou aprendendo aqui, a gente precisa respeitar os nossos invernos. Eu sempre repetia essa frase nos meus cursos mas agora realmente estou entendendo.
As vezes o melhor que se pode fazer é encarar o desconforto, e observar a tempestade passar. 


Esperar. 


Não fugir do desconforto. Não achar que estar tudo bem é ter prazer o tempo todo.
É realmente fascinante aprender a ver beleza mesmo naquilo que não carrega o sol ou o riso. E eu estou aprendendo isso com o inverno. Como os poloneses ou talvez Europeus em geral sobrevivem ao inverno. O inverno externo que desperta o inverno da alma.

Porque a natureza contempla a vida, a morte, as cores, os ciclos.

E tudo isso é vida!
E eu realmente quero e abraço todas as partes dela. 
Porque o sol sempre está lá, mesmo quando a gente não vê.