Como
pertencer?
Estudei
isso nos ultimos 16 anos da minha vida e ensinei.
Ensinei?
Aprendi?
Aqui
na Polonia estou tendo a prova de fogo.
Como
pertencer?
O
que nos faz pertencer?
Para
pertencer precisamos primeiro nos conhecer muito bem, é um grande desafio, as vezes cansativo, as vezes da preguiça, as vezes você nao gosta muito do que ve em si mesmo.
Nao
pertencimento nao é um “privilegio” de expatriados.
A
vida toda essa sensação me foi familiar.
Empregos,
festas…
Quando
comecei a mergulhar no estudo do teatro e especialmente do circo e do
palhaço aprendi como me sentir confortavel com isso. Rir disso. A
pertencer a mim mesma. A habitar a mim mesma tao bem habitado que
isso por si so seria um grande prazer. Ao expor meu ridiculo as
pessoas ririam, o riso mostraria identificação, cumplicidade, alivio.
Acredito
que palhaço nao mora numa casa. Ele mora numa ponte. A ponte é o
castelo dele.
A
ponte é tudo aquilo que cria conexão, identificação… Ele cria
pontes ao se desnudar, ao se mostrar vulneravel, real… Ridiculo.
Por
muitos anos minha ponte foi minha muleta tambem.
Nao
sei o que fazer? Digo algo engraçado.
Me
sinto deslocada? Faço uma piada autodepreciativa e automaticamente
ninguem vai me ver como uma ameaça e se sentirao confortaveis comigo
e abertos pra amizade.
No
momento em que eu desci do avião minha ponte e minha muleta foram se
dissolvendo aos pouquinhos ao descobrir novas formas de ser
vulneravel, novos medos. Novos constrangimentos e sensaçao de nao
pertencimento.
Tao
novos para mim.
Voce
sabe, o medo se fantasia de varias formas embora ele seja sempre o
mesmo. Só medo. Só ilusão.
Mas
a mente “precisa” tentar rotular e entender.
E
enquanto eu entendia, nem pontes nem muletas.
Me
perguntei ate se eu era engraçada ou se fui engraçada um dia.
Como
construir novas pontes num terreno tão desconhecido, incerto?
As
conexoes que tenho encontrado aqui sao exclusivamente relacionadas as
vulnerabilidades que tenho em comum com outros imigrantes. São novas
vulnrabilidades.
Pra
todos nos.
Mas
nunca estamos sozinhos em nenhuma delas.
Esses
sentimentos sao acentuados aqui.
Mas
estão presentes sempre, em todos nós.
E o que fazemos?
Descobrimos
como conviver com ele, como mascarar, como fugir.
Nos
isolamos. Arrumamos desculpas. Nos entretemos com coisas que não nos
obriguem a interagir compartilhar ou coexistir. Nos tornamos cada vez mais individualistas na tentativa de deixar as coisas mais faceis.
Distraidamento
vamos prosseguindo e sobrevivendo.
Mas,
sabe o que falta? O que falta pra todos nós?
Nao
importa suas preferências ou nacionalidade?
Entender
que nascemos para viver em comunidade.
Compartilhar,
associar-se a um bem/objetivo em comum nos fez sobreviver, nos fez
evoluir, nos fez existir.
Ainda
somos os primatas que precisam uns dos outros.
E
no compartilhar e coexistir nos tornamos verdadeiramente humanos.
Eu
sou quando somos.
Portanto,
nascemos para pertencer, compartilhar, conviver…
É
a nossa natureza seja você brasileiro, gringo… Ou palhaço.
