quarta-feira, 13 de setembro de 2017
O dia em que Wesley Safadão me salvou e minhas raízes latinas
Comecei a ouvir Wesley Safadão.
Sempre me conforta, vai entender…
Estando tão longe de onde nasci e construi minhas referencias e identidade, nao é incomum sentir algum tipo de aperto no peito ou vazio de vez em quando.
Eu nao chamo de saudade, eu sempre associo saudade a algo muito melancolico, o que eu sinto é gratidão pelas minhas origens, e muito mais gratidão por estar onde eu estou e pelo motivo que me trouxe até aqui.
Ate aí nao existe um problema propriamente dito.
Mas as vezes voce se sente meio coisado, muito coisado, e eu, que tenho mania de querer dar uma teoria para tudo e encontrar nomes para tudo o que eu sinto, querendo insistentemente me concertar como se eu fosse uma peça que ja tivesse nascido com defeito de fabricação, não encontro o nome.
E quando a gente não encontra o nome, a razão do nosso infortúnio, a gente encomenda outro problema e empurra voluntariamente a nossa paz pra um pouquinho mais longe.
Onde entra Wesley safadão nisso?
Não só Wesley safadão, mas furacão 2000, Timbalada...ai Timbalada…
Eu comecei a ouvir, despretensiosamente escolhi uma playlist brasileira no youtube, querendo desafiar meu próprio tédio:
Foi quando o mundo se abriu, um coral de anjos comecou a cantar e eu teria resposta para todos os problemas mundiais se você me perguntasse nesse momento.
Sempre aprendi através da linguagem do palhaco que todos temos necessidade de pertencimento. De sermos vistos. Amados. Pertencer é uma forma de se sentir amado. Não a alguém necessariamente, mas a gente se abriga naquilo que a gente ama, ainda que seja um ideal, uma crença, uma luta.
E eu, que sempre fui meio metida e sempre ouvi musica gringa desde criança começo a me sentir embalada no doce som de : “Requebra requebra requebra assim, pode falar pode rir de mim”….”Sonhei que tava me casando e acordei no desespero” (ouçam é engraçada), “Seu amooooor me pegooou”. E o simples e breve contato com minhas referencias, com minhas origens, me trouxe uma paz muito grande.
Nossa historia, nossas raízes estão mesmo onde a gente não espera.
Quando é que eu ia achar que Wesley Safadão me traria conforto ou sentimento de familiaridade sendo que nunca ouvi antes?
Porque é tao tipico e peculiar do Brasil gente, esse tipo de musica de letra...Mesmo esses que a gente acha que não representam o Brasil afinal “o Brasil tem muito mais musica de qualidade e bla bla bla” (aquele papo sobre a Anita se apresentar nas Olimpíadas por exemplo)
Mas essa informalidade, essa simplicidade, essa “ fuleragem” diz tanto sobre a gente… E diz coisas boas, e de maneira despretensiosa e informal, mostra algo que somente a gente tem.
Cada vez mais eu percebo que só o Brasil pensa e se comporta desse jeito, enxerga o mundo desse jeito, tem a capacidade de uma leveza e alegria sem tamanho.
Ontem fiz uma aula na academia e tocaram 6 musicas brasileiras. Nunca fiz uma aula no Brasil que tocasse...3 musicas brasileiras que fosse,(exceto zumba) serio, tocou (pasmem): Baila baila comigo… Domino!!!!! (Eu olhava para o lado ansiando por alguem que soubesse a coreografia, que tivesse cansado de ver aquela cafonice nos programas do Gugu), tocou Lepo Lepo… E umas percussões doidas de escola de Samba. Eles apreciam demais a cultura latina e brasileira, enxergam algo que a gente nem sempre vê.
E que eu estou aprendendo a ver, a reconhecer, a me orgulhar agora.
De repente comecou a tocar Rumba...E o curioso é que senti o mesmo conforto, a mesma familiaridade.
Fora do Brasil me sinto muito mais brasileira, mas sinto algo que nunca senti antes: Me sinto latina.
Nos os latinos americanos temos uma linguagem em comum, temos uma fuleiragem em comum que penso agora, deveriamos compartilhar-celebrar-valorizar mais. Valorizar nossa cultura latina e nos unir mais.
Eu pelo menos,sempre vi assim: Brasil e o resto do mundo. Mas a America Latina também é minha casa, vejo agora.
Quando me param na rua para me perguntar se sou latina, ou mais precisamente Colombiana (não sei porque) Eu falo com orgulho que sou brasileira, mas também fico feliz por acharem que sou colombiana.
Quando toca salsa na academia eu me sinto orgulhosa, também me sinto representada, como nunca imaginei.
Indo ainda mais longe no raciocínio: Sendo brasileiros, nossas raízes estão espalhadas em todo mundo. Já parou pra pensar nisso? Eu carrego em mim sangue de índio, italiano, espanhol, muito provavelmente e com sorte sangue africano... Isso do que eu sei, mas tem mais mistura com certeza.
Eu tenho pensado e tenho sentido, somente agora, tão longe de "casa", minha sensação de pertencimento ficou mais fácil de ser alcançada. Lentamente minha "casa" vai se expandindo...
Meu mundo ficou e fica cada vez maior.
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