Sonhei
que estava perdida e via em algum lugar ao longe uma coxinha isolada.
Numa especie de balcão de padaria...Eu conseguia ver de longe,
porque coxinhas tem esse poder, e ouvia uma voz em minha mente (Deus,
talvez) Sobrou uma. Ela esta esperando por você.
Não
lembro o que houve depois disso.
Mesmo
morando no Brasil eu nao tinha uma alimentação
tipica brasileira então demorei muito pra sentir falta de alguns
itens.
Mas
quando sinto falta, sei que não é exatamente o sabor ou o
ongrediente mas toda a memoria afetiva por tras disso:
Coxinha
pra mim carrega um milhão de possibilidades…
Coxinha
é quase sempre possível, porque coxinha é tão barata e gostosa!
Não
me refiro a coxinhas gourmet ou coxinhas em pseudo padarias, aqueles
bistrôs chiques disfarçados de estabelecimentos que vendem pãozinho
:(
Mas
se você ta todo lascado você sempre pode pelo menos dar uma
enganada com uma coxinha. Tem alguns lugares como no Shopping Santa
Cruz ondem vendem a coxa-creme. Uma coxa de galinha revestida por uma
massa de coxinha.
Dai
você tá sem tempo e com pouco dinheiro e simplesmente manda bala
numa coxinha de frango e já era.
Essa
despretensão eu ainda não encontrei em outros lugares.
Essa
coisa do “salgado”, coxinha, quibe, risoles (já percebeu que som
lindo é essa palavra), empada… Você sempre tem uma opção fácil,
rápida e barata para enganar a fome. Eu acho isso fofo. Hoje, acho
que isso diz mais sobre o brasileiro do que eu imaginava.
E
sim, disso eu sinto falta.
Despretensão
pra mim é uma palavra que define padaria…
Na
padaria você sempre pode comprar alguma coisa mesmo que esteja sem
grana…
As
melhores refeiçoes que fiz foram em padaria, dividindo PF e ainda me
sentindo rica. Porque PF é sempre barato (novamente, falo de
padarias roots, não dessa frescuraiada-gourmet)
Tem
uma padaria próxima a estacão saúde do metro, o ambiente é meio
engordurado- o que faz parte do charme- mas o atendimento é
excelente! Todos são atenciosos e trabalham com alegria e tem o
melhor PF que já comi na vida!
Mas
o que mais gosto desse lugar é que embora eu pudesse pedir pra
viagem por morar ali perto, eu gostava de comer la, de ficar naquele
ambiente onde se reuniam lado a lado executivos de terno, motoboys, e
pedreiros com o uniforme e a pele toda suja do trabalho árduo na
construção.
Essa
cena é linda, e mais uma vez, diz mais sobre o Brasil do que eu
conseguia ver antes.
Não
diz coisas melhores, só revela a alma de seu povo… Através da
comida e dos lugares populares para se comer.
Sempre
tem uma padaria aberta antes do dia clarear em quase toda esquina:
Com coxinha, café com leite, pão na chapa…
Isso
me passa a mensagem:
Possibilidades
– Despretensão.
Ainda
não conheço muito da Polônia mas por exemplo: São os reis da
comida em conserva, fermentada… Lembra do polonês lutador que
falei em outro texto?
Eles
sabem se armar até quando o assunto é comida, do tipo: Se eu
precisar guardar, poupar, esconder para me proteger eu tenho os
melhores alimentos para isso. E alimentos ricos em gordura que darão
a saciedade necessária para aguentar a batalha, para aguentar a
escassez se ela houver.
Isso
me passa a mensagem: Lutadores. Preparados.
To
achando também que os poloneses são os reis dos biscoitinhos e
pãezinhos doce. Tantas variedades, sempre tão cheios de detalhes,
de fofura, pra mim são puro amor em forma de pãozinho. Aposto que
eles só contratam mamães ou vovós para assa-los ( Por favor não
me digam o contrario, quero manter essa ilusão) Isso mostra pra mim,
que eles sabem lutar, mas também, e talvez por isso mesmo são
especialistas em confortar, em acolher.
Como é que vou ousar pensar
o contrario se em cada esquina tem uma lojinha vendendo pãezinhos
doce quente?
Tudo
conta a nossa historia, e olha que nem fui fundo só fiquei na
coxinha e nos pãezinhos…
Então
sei que saudade daquele farelo gordurentinho que fica no dedo depois
de comer a coxinha (suspiro), é saudade das referencias...Da
própria história
onde a sensação de
pertencimento é maior.
Mas
a gente vai aprendendo a expandir nossas raízes a
medida que aprende a expandir o paladar também. Nosso palato também
vai se nutrindo de novas memórias...
Espero
que essa noite eu sonhe com farofa e caldinho de feijão...

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