Agora, ha quase 8 meses na Europa e quase 5 somente na Polonia ja posso afirmar com maior embasamento as principais reaçoes e perguntas mais ouvidas quando digo que sou brasileira:
_Você dança salsa?
_Você dança salsa?
_Você dança salsa?
_Onde fica aquele cara? (E abrem os braços em cruz tentando imitar Cristo Redentor).
_Já esteve em uma favela?
E (ouvi essa pergunta somente duas vezes mas se tornou minha preferida:
_O Brasil é igual mostraram no filme velozes e furiosos?
Muitas vezes as pessoas me olham com alivio, sorriem quase imediatamente e dizem: Ahhhh! Brasil!
Não pelo que eu sou, mas pelo que eu represento no imaginario deles: Um lugar quente e despretensioso, onde as pessoas são felizes. A forma como me olham é: Posso ficar a vontade agora.
E isso me traz outra reflexão, sobre uma questão que não existe somente na Europa, mesmo no Brasil eu me questionava essas coisas, mas na Europa se faz mais presente.
Vou dar um exemplo que vai explicar melhor o que quero dizer…
Quando se pergunta: Oi tudo bem? Como você está Ou algo do tipo, na Polônia eles SEMPRE falam a verdade. Se você tem intimidade ou não. Eles falam: Ah ta tudo uma bosta. To mais ou menos.
Eu acho isso bonito e bem libertador. Como brasileiros tendemos a sempre responder: Tudo bem. E ponto.
Antes, cheguei ate a pensar: Os poloneses são mais livres, não estão nem ai… Mas por outro lado percebo que em todo o restante das situaçoes tem se um cuidado (quase medo) extremo da reaçao-opiniao do outro. Ainda não entendi qualé que é desse contraste.
Porque no Brasil, a gente fala: Tudo bem, porque para nos é mais educado. Ninguém tem nada a ver com seus problemas.
Mas para o resto das coisas você pode sair com a mesma roupa que dormiu para ir na rua, não pentear o cabelo...Essas coisas. Ainda vai ter uma pessoa ou outra que te julga mas de forma geral, a gente é mais livre para ser e se expressar, ou mesmo não tentar enfeitar tudo para parecer perfeito para o outro.
Claro que aqui, mesmo sendo brasileira me pego com algumas inseguranças em alguns momentos, por nao estar familiarizada com o que me rodeia e querer ser aceita. E mesmo entendendo que isso faz parte, percebo que no geral, isso se faz muito mais presente e constante no comportamento das pessoas daqui.
Onde entra a salsa nisso?
Porque eu sempre vejo bebados gritando na rua e isso é normal?
Porque a primeira vez que vi as luzes de natal aqui eu falei bem alto: UAU! De tanta felicidade e me olharam com censura?
Porque eu ouço palavrões na rua (que já posso reconhecer) mas não ouço risadas altas? (exceto se as pessoas estiverem bebadas)
Porque já vi brigas na rua mas nunca vi nenhum casal se beijando?
Pelo mesmo motivo que sorriem para mim ou algumas vezes me abraçam ao saber que sou brasileira.
Porque existe sim, a necessidade humana intrínseca em se manifestar a alegria e o amor.
Nem só de luta vive o homem.
Polônia (já escrevi num texto anterior) é uma naçao de guerreiros que carrega a historia nas costas e sempre esta pronta para se defender.
Mas como seres humanos, que é algo maior e alem da cultura e historia, temos a necessidade de confiar, de amar, de rir ate perder o folego.
E eu acredito que é por isso que me olham com alegria e quase alivio. Por isso se abrem clubes de salsa.
Pela necessidade humana de se "despirocar" e somos"despirocados por natureza. :)
Não estou dizendo que não se divertem aqui, poloneses realmente sabem dar uma festa, mas eu vejo extremos. No Brasil a gente celebra os detalhes, a vida, ate as desgraças. Conseguimos ser quase o tempo todo alegres e gratos. E principalmente: Despreocupados. Leves.
Pela cultura, ou “Por educação” tenho a impressão que é mais aceito gritar de raiva do que dar um suspiro alto, de prazer ou encantamento.
Cada vez mais eu percebo também, que o que a Polônia tem de mais forte é exatamente o que o Brasil precisa.
Mas hoje, agora, nesse momento, não poderia ter mais orgulho de quem eu sou e do que sei que tenho a oferecer aonde eu estiver.

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