quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A ventania e a calcinha da vó

Acordo as 3 da manha, sozinha, sem razão aparente.

_uuuuuuuuuhhh, uhhhhhhhhhh…

Não era um fantasma. Era o vento.

E barulho de lataria se arrastando pelas ruas, batendo em tudo que

 encontrava pela frente.

Barulho de tudo o que possa fazer som se arrastando pela estrada, 

com o vento.

Olhei pela janela e esperei ver uma vaca voando pela janela. 

Não vi.

Mas acho que so porque nao tem vacas nessa região.

_UUUUUUUUUUUUHHHHHHHHH, UUUUUUUUUUHHHHH

A ventania era tamanha que senti chão estremecer.

_Coisa da minha cabeca -pensei.

A mente prega pecas, especialmente você não esta 100% no seu 

melhor. 

E especialmente quando na mesma semana voce leu uma noticia 

sobre possíveisis tornados na sua cidade e o quanto o clima estava 

louco.

 Eu ja tinha ido dormir tarde, estava dormindo mal...ops. 

Senti o chão  tremer de novo. 

Nao tremer tremeeer como um terremoto. Mas o colchão (que esta 

no chão) fez uma vibracão sozinho.

Duas.

Tres vezes.

_Eu vou morrer -pensei, com calma. 

Pois é , nem fiquei triste, fiquei irritada.

Porque se tem uma coisa que eu sou é  pratica, posso ate ser 

dramatica, mas sou mega pratica também.

E um pensamento me invadiu.

Minha falecida avo nunca me disse isso diretamente, mas esse é um

daqueles conhecimentos que passam por geracoes:

_ Use sempre uma calcinha bonita porque você morrer atropelada 

e  ambulância for te buscar toda estrupiada você não passa 

vergonha.

Não sei se era bem assim, mas foi o que ficou, sabe como é

Telefone sem fio.

Eu tava dormindo toda largada e não na minha melhor forma - 

admito, e esse pensamento me assombrou. 

 Porque se é pra morrer eu encaro a morte. Eu não tenho medo de 

nada (exceto de sapos e tartarugas, nao é bem medo, eles me 

causam aflicao, mas isso é outra historia) Cotinuando...Eu não 

tenho medo de nada -tirando sapos e tartarugas então se é pra 

morrer que seja com dignidade, deixa eu pegar minha camisola 

mais ajeitadinha.

Pois é. Isso aconteceu.

Acho que deve ser daquelas coisas que a gente ri quando vai um 

gringo pro Brasil e acha que qualquer coisa pode ser assalto ou 

que vai passar um macaco pela rua e bater na sua janela pra roubar

 seu pão ( perai, essa do macaco meio que aconteceu mesmo com 

minha irma), mas enfim, desses exageros que a gente se percebe

 cometendo porque esta num lugar novo com a mente povoada de 

imagens estereotipadas.

Maas, vai que.

Coloquei a camisola, meio puta da vida,  resignada, pra me 

preparar pra morrer com dignidade.

Não morri como podem ver.

Foi so uma ventania.


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