Eu amo livrarias, sei do que estou falando, essa seção de historia claro que temos no Brasil, mas eu sempre preciso ter um pouco de atenção para encontrar.
Aqui não, você não precisa procurar: Biografias das figuras importantes do país e livros sobre a historia do país é sempre o que fica mais evidente, não importa de que angulo você procure, você consegue ver em todo lugar.
E no Brasil?
As livrarias são lindas e maravilhosas (já disse que eu amo livrarias?) com praticamente o mesmo destaque para tudo, mas eu sempre, sempre acho com facilidade... O QUE? - você me pergunta.
Revista de fofoca! Revista de celebridades!
Não estou criticando, preciso admitir que eu gosto dessas revistas, elas descansam a minha mente. E claro, na Polônia também tem mas em livrarias elas não tem destaque. Em mercados e lojas menores sim. Livrarias não.
E o que isso me faz refletir sobre o Brasil? Ou sobre os poloneses?
Aqui você nem precisa entrar numa livraria para sentir o peso da historia. Sim, peso. Peso de um passado difícil, cruel e relativamente recente do que a Polônia viveu. Eu olho para as pessoas aqui e da pra saber que elas sofreram, mesmo nas novas gerações eu vejo a marca do sofrimento.
Eu caminho pelas ruas e vejo muitos monumentos históricos, mas eu nem preciso, eu sinto no ar a historia.
Os poloneses não esquecem. Eles preservam a historia, o passado. lembrança do que viveram, sofreram.
Conheci brasileiras aqui que me disseram sentir o mesmo. Tao forte mas tao forte que depois de se mudarem para cá passaram a sonhar com Guerra, é como se ainda acontecesse numa realidade paralela.
Equilíbrio é a chave de tudo, as vezes acho que isso pesa demais, acho que se preserva, mas tambem se SEGURA demais o passado.
Mas temos tanto a aprender com isso. Tanto.
Isso fez deles uma nação de lutadores, eles sabem se defender, se preservar. Sua historia e sua cultura é tudo o que eles tem, e ai de quem tentar tacar a mão.
No Brasil não temos um passado de Guerra, mas temos nossa sombra desde época descravidão, tivemos a ditadura...
Mas tenho impressão de que ainda não aprendemos a lutar, e se aprendemos, esquecemos.
Todo ser humano tem esse instinto de sobreviencia, de luta dentro de si.
Me pergunto se o nosso instinto animal não esta adormecido e o instinto acorda somente para a hiper-sexualização das coisas e para uma violência gratuita e mau direcionada.
Sou a favor da alegria e da leveza que só a gente tem. Dessa coisa de não perder a esperança.
Mas... Sera que não estamos perdendo? E o que nos resta agora? Se ainda não aprendemos a lutar.
Tenho impressão de que os poloneses estao sempre prontos para entrar numa briga se precisar.
Nos estamos?
A gente não precisa?
Ainda somos escravizados e não sabemos?
Eu não tenho respostas para essas perguntas. Só tenho perguntas.
E quero saber o que posso fazer pelo meu país.
Já sei reclamar, já sei escrever num blog sobre isso, já sei me preocupar pelos meus parentes que estão no Brasil, e agora?
Precisamos fazer alguma coisa. Que seja ao menos começar a refletir sobre toda a capacidade que temos e não usamos, e essa capacidade não significa somente ter a habilidade de te esperança.
Significa que podemos lutar.
Qual é a nossa forma de lutar?
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