_Um taco
vegetariano!
Foi tudo o que me
arrisquei a pedir.

Sempre tenho receio
de comer num lugar
novo. Me aflige demais gastar dinheiro com
comida
que não vou comer e ver ela indo
pro lixo.
Mas eu queria muito
comer algo diferente
para variar e eu amo comida mexicana: Pra
mim
comida mexicana tem aquele sabor
de junk food mas ao
mesmo tempo é
parecido com comida caseira, comida de
mãe. Tem sustança.
A garçonete que me
atendeu era uma loira
simpatica e esquelética, meu impulso inicial
foi pensar em oferecer dividir meu taco com a coitadinha mas intui
que ser esquelética era
uma opção que ela ostentava com orgulho
enquanto caminhava para la e para ca
ostentando seus quadris
inexistentes vestida como uma dançarina espanhola.
Pois é,
era um restaurante mexicano na Polônia. Agora que me toquei que o
Uniforme não
tem nada a ver com México, mas é
exótico e realmente chama atenção, então ponto pra eles
de
qualquer jeito.
Desde quando sentei
no restaurante tive a impressão de estar sendo observada com
curiosidade.
Pelas garçonetes,
pela gerente (acho que era gerente) e por um momento me perguntei se
tinha algo errado comigo. Claro que meu impulso inicial é
SEMPRE
ter certeza de que fiz
algo errado, que estou com a maquiagem borrada
ou com o vestido levantado na parte de
tras enfiado na calcinha –
coisas que ja me aconteceram, mas estava tudo ok.
Me perguntei se
achavam que eu era mexicana…
Olhei ao redor e só
vi poloneses, ou estrangeiros europeus. Todos claros, loiros.
E percebo novamente
as garçonetes me observando com interesse e curiosidade.
Claro que tem
pessoas morenas como eu aqui na Polonia. Mas a gente sempre reconhece
um estrangeiro, não importa suas características, a gente sempre
sabe.
Eles também. E
mesmo que eu não abra a boca denunciando meu sotaque, eles sabem
que
sou latina. E sempre me pergunto como eles sabem, mas não tenho
muita certeza se
vou gostar da resposta.
Esperei ansiosa pelo
meu taco e quando ele chegou e dei a primeira mordida…
Uma decepção
enorme se apossou de mim.
Achei que era uma
piada.
Nunca comi nada tão
ruim. Não era somente o sabor, mas a qualidade dos ingredientes,
tudo tinha gosto de velho.
_Não vou conseguir
comer isso – pensei, ofendida. E não sou do tipo que reclama,
especialmente sobre comida.
Quando coloquei o
taco de volta no prato a garçonete veio correndo ate mim.
Imediatamente.
_Alguma coisa
errada?
Olhei ao redor e as
outras garçonetes observavam, a gerente também observava.
Eu me senti
pressionada porque na verdade, elas estavam se sentindo pressionadas.
Naquele momento
percebi que tinham certeza que eu era mexicana.
_Tudo errado! Os
mexicanos ficariam ofendidos com isso! Qual o problema de voces que
não podem fazer um prato tão simples? Como é
que voces conseguiram deixar o taco
fedendo alem de tudo? Hein? Hein?
Eu pensei.
A garçonete me
encarava de forma doce e preocupada. E tudo o que consegui dizer foi:
_Esta ótimo! -
enquanto eu dava um meio sorriso e meus olhos exclamavam terror. Acho
que ela percebeu porque fez uma cara estranha.
E então continuei
sendo observada O TEMPO TODO.
O taco simplesmente
fedia. Era impossivel comer.
Fiquei me
perguntando qual a referencia que elas tinham de mexicanos para se
importar
tanto com a minha opinião: Chaves, Frida… Provavelmente
El
Chapo, nesse caso fazia
sentido o temor aquelas meninas.
Pedi a conta. Eu e a
menina mal conseguiamos nos olhar nos olhos.
Quando vi o papel da
conta notei que tinham escrito a mão: Gracias, e fizeram um
desenho.
Aquilo me comoveu,
não sei porque.
Fui embora sentindo
um certo peso no coração…
E um vazio na
barriga.
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