domingo, 3 de setembro de 2017

Quando me confundiram com uma mexicana especialista em tacos

_Um taco vegetariano!

Foi tudo o que me arrisquei a pedir.






Sempre tenho receio de comer num lugar 

novo. Me aflige demais gastar dinheiro com

 comida que não vou comer e ver ela indo 

pro lixo.

Mas eu queria muito comer algo diferente

para variar e eu amo comida mexicana: Pra

 mim comida mexicana tem aquele sabor 

 de junk food mas ao mesmo tempo é 

parecido com comida caseira, comida de 

mãe. Tem sustança.

A garçonete que me atendeu era uma loira 

simpatica e esquelética, meu impulso inicial

 foi pensar em oferecer dividir meu taco com a coitadinha mas intui que ser esquelética era

 uma opção que ela ostentava com orgulho enquanto caminhava para la e para ca 

ostentando seus quadris inexistentes vestida como uma dançarina espanhola.

Pois é, era um restaurante mexicano na Polônia. Agora que me toquei que o Uniforme não

 tem nada a ver com México, mas é exótico e realmente chama atenção, então ponto pra eles

de qualquer jeito.

Desde quando sentei no restaurante tive a impressão de estar sendo observada com 

curiosidade.


Pelas garçonetes, pela gerente (acho que era gerente) e por um momento me perguntei se

 tinha algo errado comigo. Claro que meu impulso inicial é SEMPRE ter certeza de que fiz 

algo errado, que estou com a maquiagem borrada ou com o vestido levantado na parte de 

tras enfiado na calcinha – coisas que ja me aconteceram, mas estava tudo ok.

Me perguntei se achavam que eu era mexicana…

Olhei ao redor e só vi poloneses, ou estrangeiros europeus. Todos claros, loiros.

E percebo novamente as garçonetes me observando com interesse e curiosidade.

Claro que tem pessoas morenas como eu aqui na Polonia. Mas a gente sempre reconhece 

um estrangeiro, não importa suas características, a gente sempre sabe.

Eles também. E mesmo que eu não abra a boca denunciando meu sotaque, eles sabem 

que sou latina. E sempre me pergunto como eles sabem, mas não tenho muita certeza se 

vou gostar da resposta.

Esperei ansiosa pelo meu taco e quando ele chegou e dei a primeira mordida…

Uma decepção enorme se apossou de mim.

Achei que era uma piada.

Nunca comi nada tão ruim. Não era somente o sabor, mas a qualidade dos ingredientes, 

tudo tinha gosto de velho.

_Não vou conseguir comer isso – pensei, ofendida. E não sou do tipo que reclama, 

especialmente sobre comida.

Quando coloquei o taco de volta no prato a garçonete veio correndo ate mim. 

Imediatamente.

_Alguma coisa errada?

Olhei ao redor e as outras garçonetes observavam, a gerente também observava.

Eu me senti pressionada porque na verdade, elas estavam se sentindo pressionadas.

Naquele momento percebi que tinham certeza que eu era mexicana.

_Tudo errado! Os mexicanos ficariam ofendidos com isso! Qual o problema de voces que 

não podem fazer um prato tão simples? Como é que voces conseguiram deixar o taco 

fedendo alem de tudo? Hein? Hein?

Eu pensei.


A garçonete me encarava de forma doce e preocupada. E tudo o que consegui dizer foi:

_Esta ótimo! - enquanto eu dava um meio sorriso e meus olhos exclamavam terror. Acho 

que ela percebeu porque fez uma cara estranha.

E então continuei sendo observada O TEMPO TODO.

O taco simplesmente fedia. Era impossivel comer.

Fiquei me perguntando qual a referencia que elas tinham de mexicanos para se importar 

tanto com a minha opinião: Chaves, Frida… Provavelmente El Chapo, nesse caso fazia 

sentido o temor aquelas meninas.

Pedi a conta. Eu e a menina mal conseguiamos nos olhar nos olhos.

Quando vi o papel da conta notei que tinham escrito a mão: Gracias, e fizeram um 

desenho.

Aquilo me comoveu, não sei porque.

Fui embora sentindo um certo peso no coração…


E um vazio na barriga.


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