domingo, 27 de agosto de 2017

O Brasil e a Pelvis


Vendo os polacos dançando, isso me gerou altas reflexões que gostaria de dividir e ate mesmo saber a opinião de vocês:


A galera sabe dançar aqui na Polônia?


Sim. E bem. Fui a um casamento (como já citei) e vi a galera se acabando, homens e mulheres.

Mas falo sobre uma coisa: pélvis.

A gente mexe a pélvis. Isso faz toda a diferença.


Eles não. Tipo... JAMAIS.


E qual a importância de mexer a pélvis? Porque faz diferença nas coreografias de axe?

Também.

Mas falando serio, acho que vai mais além.

Tem a ver com o fato de estar a vontade com seu corpo.
Percebo que mexer a pélvis parece estar ligado com sensualidade, não digo sexualização..Uma sensualidade instriseca do ser humano, esse lado animal que é puro e não devemos moralizar condenar ou reprimir.

Crescemos no Brasil, brincando de rebolar!

E Sem maldade! (pelo menos na minha geração foi assim)
Isso é bom! Eu lembro que na minha infância eu brincava de bonecas mas eu brincava muito mais de me reunir com minhas amigas para dançar, para decorar as coreografias e passávamos horas fazendo isso. Nos dedicávamos, nos desafiávamos! Isso nos trazia tanta alegria!
E riamos quando conseguíamos executar com perfeição (as outras meninas com certeza, eu não) e riamos também por simplesmente não conseguir fazer como a dançarina da TV.
Nunca foi sobre acertar. Sempre foi sobre se divertir.
Se divertir usando o corpo!
Se divertir mexendo a pélvis.

Me pergunto se não esta ai também a raiz do nosso habito de rir de nos mesmos.


O que fazemos enquanto brasileiros, para nos divertir, se divertir usando o corpo, coisa que fazemos com tanta naturalidade nunca foi sobre acertar.

Nunca foi para ser o melhor, ser perfeito. Esta sempre ligado ao coletivo. Ao riso. A não se levar a serio.
Esse é nosso super poder eu diria.

Está escondido em coisas banais, as vezes sexuais, mas nasce do corpo, nasce do instinto.

E é uma força.

No casamento polonês em que fui, todos dançavam em pares, dançavam muito bem e com muita alegria, coisa linda de se ver mas notei algo: Eles não conhecem a pélvis.


Ate que tocou, adivinhem; Tchetcherere...tocou ai se eu te pego e tocou ate umas salsa sem vergonha e eis que todos dançaram. E eu fiquei atenta esperando um fogo no rabo diferente da galera.


Nada.

Gente, cade a pélvis, pensei eu.

De verdade, eu nunca gostei dessa hiper-sexualização mas pela primeira vez eu senti que nem sempre é sobre sexualização.

é sobre instinto, é sobre não ter medo de despirocar e deixar uma parte animal nossa vir a tona.
Parte animal que quer matar ou dar: não! Parte animal que quer celebrar! Parte animal que é celebrada e valorizada em rituais das tribos para curar, para invocar espíritos. Onde se entrega a alma, o ser, e para issó, se entrega o corpo, sem reservas, sem vergonha do que ele é.
Sinto agora, que isso só é possível com o movimento da pélvis.

Me desculpem, eu me rendo.


Ao quadradinho, a dança da bundinha (isso desde sempre e acredito que alguém tenha provas em video) E tudo o que tem a ver com celebrar o corpo, a vida.

Sem moralismo. Sem nos reprimir.

Tchetcherere….

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