Antes de comecar a falar do jeitinho brasileiro, falemos das habilidades natas de todo brasileiro.
O que
já nasce embutido dentro da gente uma vez que você nasça em território brasileiro.
Eu, como brasileira e especialmente sendo paulistana nasci com um curso completo de krav maga embutido.
Exemplo:
Ando numa calçada e já observo onde entrar e para onde correr se for necessário,
Estou voltando para casa e começa a ficar escuro, casualmente encaixo as chaves de casa como se fossem um soco inglês e se escuto passos atras de mim e não encontrei saidas penso: Faço assim com meu cotovelo, depois eu chuto...aha tem uma garrafa ali no chão.
Sim, se você não é brasileiro provavelmente esta com inveja dessa mistura de lutador marcial nato com MacGyver que somos. Repito: Especialmente se você é de São Paulo.
Isso que da crescer vendo ou ouvindo falar sobre assaltos, crimes, ouvindo alguém gritar: Pega ladrão! Ou ser seguida na rua por um (ou mais) homens numa linda manha de sábado numa avenida movimentada e enquanto eles te provocam ninguém faz nada. E voce so consegue pensar “ Tomara que eles queiram me assaltar e nao fazer algo mais”.
Sim, eu sei. Acho que esse paragrafo escrevi com certo ressentimento, soa um pouco pesado.
Mas calma, a vida no Brasil (ou em SP não é só isso. E digo mais, a mídia da uma ajudinha nos alarmando , provocando convencendo a ter medo e dizendo que o mundo é um lugar perigoso e horrível enquanto você janta com a família em frente a TV.
Sim, você precisa ser esperto, ligeiro e cuidadoso mas o mundo é bom, a vida é boa, São Paulo é maravilhosa e sempre me senti muito livre na maior parte do tempo.
Mas é engraçado como a gente se acostuma com esses hábitos. Enquanto eu fazia todos esses cálculos de como agiria para me proteger ou lutar pela minha vida eu cantarolava uma cancão e pensava no que iria fazer para jantar.
A gente se habitua.
Mas ajuda, e muito, sentir que temos ferramentas.
Ainda uso minhas ferramentas e sentido aranha em qualquer lugar do mundo.
Não adianta me dizer que é seguro, EU decido se é seguro ou não.
Qualquer barulho eu me viro rápido.
Passos atras de mim já calculo como ser mais rápida e encontro qualquer coisa no chão que eu possa usar como arma.
Só tem um gato, meio tijolo e uma garrafa de Heiniken pela metade?
Eu monto um canivete Suiço.
Ferramentas. Meios. Recursos. Jeitos.
Sim, eu sei que brasileiro é famoso pelo “ĵeitinho brasileiro” e que na maioria das vezes isso soa muito mal.
Sou totalmente contra ser desonesto, preguiçoso e detesto essa mania de querer tirar vantagem dos outros.
Mas isso tem a ver com carater, não com nacionalidade.
Se isso afeta alguns (ou muitos brasileiros) também acredito que seja uma herança cultural (não de mau caratismo) mas uma herança cultural que vem desde os senhores de engenho e os escravos:
Exploradores e explorados. Opressor e oprimido. Medo de que tomem tudo de você então você encontra qualquer meio de se dar bem antes. Revolta em vir de um historico de exploraçao e simplesmente nao ter outras referencias.Crença na escasses. E com certeza crenças em valores errados, crença que o seu valor estará naquilo que você mostra que tem, que possui.
Não estou justificando pois nada justifica. Estou divagando o que pode ser a raiz desse habito terrível.
Mas são só divagaçoes. Se eu realmente tivesse a resposta não estaria aqui em casa inventando cancões sobre meus gatos.
Mas aprendi que tem algo de muito bom nesse jeitinho brasileiro.
Eu aprendo todos os dias a abrir portas e caminhos para mim atrav éz da gentileza.
Qual o problema em conseguir as coisas fácil ?
Fácil não significa sem emprenho ou sem trabalho, para mim, fácil siginifica conquistar o que se deseja sem sofrimento desnecessário. Sem esse sacrifio cristao onde a recompensa vira quanto mais eu sofrer e sangrar.
E eu sempre, sempre acreditei no sacrifício. Eu adorava usar a frase “ Estou me matando de trabalhar”, “Estou me matando de estudar”, como se houvesse uma relação só eu e Deus e a cada sofrimento eu dava uma piscadinha pra Ele como quem diz: “E ai, ta vendo? Quando vai vir a recompensa ?”
Quando mais eu busquei me distrair do medo e sofrimento com coisas como vídeo de gatinhos ou meditacão, adivinhem? Pensamento mais claro. Decisões mais inteligentes. E a surpresa em perceber que e possível construir, consquistar coisas com empenho, trabalho e comprometimento, mas sem morrer por dentro.
Me recusar a entrar numa onda de hostilidade e agressão que algumas vezes senti aqui na Polônia (que também pode ser herança cultural de nacionalidades que sempre tiveram que lutar para se preservar e se defender, como na Europa) e fazer o que o brasileiro faz de melhor. Rir. Tirar sarro da situaçao. Rir das proprias tragedias e então, na leveza conseguir tomar decisões inteligentes e enxergar com mais clareza.
Admito,
ainda estou em processo, as vezes acolho o drama e o ressentimento
mas cada vez por periodos mais curtos de tempo.
Vejo cada vez mais valor em sermos toscos. Os memes brasileiros, a internet brasileira, o cachorro brasileiro (como aquele vídeo do cachorro dançando feliz) não representam somente coincidências isoladas, e sim um super poder.
Vejo cada vez mais valor em sermos toscos. Os memes brasileiros, a internet brasileira, o cachorro brasileiro (como aquele vídeo do cachorro dançando feliz) não representam somente coincidências isoladas, e sim um super poder.
Que
a gente somente usa
com coisas bobas e de maneira desorganizada, mas é realmente um dom
poder rir das desgraças,
poder ser leve.
Isso
pode ter potencia para coisas importantes também!
Pelo
menos desconfio. E também estou
aprendendo a encontrar potencia nisso.
Mas pode ter algo de poderoso ai.
Mas pode ter algo de poderoso ai.
No jeitinho brasileiro.

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